
Soltei-me daquele corpo, sentei-me na berma do passeio para assistir ao fim do espectáculo da vida.
Ele sentou-se ao meu lado sorriu, todo vestido de negro, acendeu um cigarro negro soltou no ar um fumo também negro, não senti medo sabia muito bem quem era.
-Chegou a minha hora ? Perguntei sem desviar o meu olhar sobre aquele corpo inerte.
Ele sorriu novamente, olhou para aqueles rostos de pânico e disse.
-Pobres de espirito sempre a mesma pergunta.
É favor sair da frente eu sou médica.
Desapertou-me a gravata e também a camisa, colocou dois dedos no pescoço daquele corpo que eu já sentia que não era meu, começou uma dura luta com respiração boca a boca e suas mãos no meu peito.
Estava a gostar de ver todos os seus movimentos, sua boca encaixa na perfeição na minha, seus cabelos negros soltos pareciam soltar raios de vida sobre mim.
Estremeci ! Olhei para ele, concentrado na luta que a médica travava com o meu corpo, acenou a cabeça num sinal afirmativo que eu não entendi.
- A tua hora ainda não chegou, vais voltar porque nasceu aqui uma nova oportunidade para vida miserável que sempre levaste.
-Não entendo o que quer dizer !
-Ela precisa de ti e eu posso esperar mais uns longos anos mas sabes que ficamos com encontro marcado, agora vai e vive esta paixão até ao limite porque garanto que é a última.
Abri os olhos, seus olhos cor de mel deram-me as boas vindas, seu sorriso fechou a porta da minha escuridão, pelo seu nariz de Cleópatra senti o sopro de uma nova vida, lábios seus lábios esses eu ainda sentia nos meus.
-Doutora quer jantar comigo ?...
José
( foto de Rod* Rodrigo silva )