sexta-feira, 19 de outubro de 2007

Confissão


Entre dois copos de vinho
Tenho medo da aproximação do teu nome.

Vou lambendo aos poucos teu cheiro
Meu olhar são tiros perfeitos na tua sombra.

Vou saciar-me na tua carne
Dormir sobre os tristes poemas meus.

Tenho medo do poder da tua nudez
Tua beleza cruel e insano está acima de Deus.

Perante teu avanço mortal não vacilo
Só sinto pânico dos teus belos segredos.

És minha maldição ?

Ou tábua da minha salvação ?



José


( foto de www.olhares .com )

segunda-feira, 17 de setembro de 2007

Dois... Dedos... Conversa

Caí como uma árvore quando abatida, pessoas aos gritos quando eu só queria silêncio.
Soltei-me daquele corpo, sentei-me na berma do passeio para assistir ao fim do espectáculo da vida.
Ele sentou-se ao meu lado sorriu, todo vestido de negro, acendeu um cigarro negro soltou no ar um fumo também negro, não senti medo sabia muito bem quem era.
-Chegou a minha hora ? Perguntei sem desviar o meu olhar sobre aquele corpo inerte.
Ele sorriu novamente, olhou para aqueles rostos de pânico e disse.
-Pobres de espirito sempre a mesma pergunta.
É favor sair da frente eu sou médica.
Desapertou-me a gravata e também a camisa, colocou dois dedos no pescoço daquele corpo que eu já sentia que não era meu, começou uma dura luta com respiração boca a boca e suas mãos no meu peito.
Estava a gostar de ver todos os seus movimentos, sua boca encaixa na perfeição na minha, seus cabelos negros soltos pareciam soltar raios de vida sobre mim.
Estremeci ! Olhei para ele, concentrado na luta que a médica travava com o meu corpo, acenou a cabeça num sinal afirmativo que eu não entendi.
- A tua hora ainda não chegou, vais voltar porque nasceu aqui uma nova oportunidade para vida miserável que sempre levaste.
-Não entendo o que quer dizer !
-Ela precisa de ti e eu posso esperar mais uns longos anos mas sabes que ficamos com encontro marcado, agora vai e vive esta paixão até ao limite porque garanto que é a última.
Abri os olhos, seus olhos cor de mel deram-me as boas vindas, seu sorriso fechou a porta da minha escuridão, pelo seu nariz de Cleópatra senti o sopro de uma nova vida, lábios seus lábios esses eu ainda sentia nos meus.

-Doutora quer jantar comigo ?...





José


( foto de Rod* Rodrigo silva )

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Simbiose.. Da .. Paixão


É dor...

Quando teu olhar descansa
No labirinto do meu intimo.

É dor...

Quando teus dedos tatuam
Palavras de fogo em mim.

É dor...

Quando teus lábios poisam
Nas minhas rebeldes lágrimas.

É dor...

Quando abraças meu mundo
E sinto o pavor da tua ausência.

É dor...

Quando partes.
Quando ficas.

É dor...



José


( foto de Paulo César )

quinta-feira, 16 de agosto de 2007

Balada.. da.. Exaustão


Preciso de mim...

No interior lascivo dos teus pensamentos.

Preciso de mim...

Nos abraços que dás a homens sem fim.

Preciso de mim...

Quando tua mão me salva de ficar na berma da estrada.

Preciso de mim...

Na noite magica em que durmo contigo na cama.

Preciso de mim...

Nos teus orgasmos cruéis no meu sangue.

Preciso de mim...

Preciso de ti...

Longe de tudo...

Jose

( foto de Angelica )

domingo, 1 de julho de 2007

Louco...


Apelei...

Aos meus dedos vazios de ti.
A tua pele.

Apelei...

Há minha inteligência sensual.
A tua sedução.

Apelei...

Ao meu mundo mortal e perverso.
Os teus devaneios.

Apelei...
Ao limite dos meus sentidos
Descobrir teus mistérios.

É loucura inocente.
De um caminho sem fim.




Jose


( foto de Angelica )


segunda-feira, 11 de junho de 2007

Desafio

Vem...

Vou revelar-te um segredo teu !

Despe-te...

Sem medo...

Meu espelho espera-te...

Jose

( foto de Nuno Manuel Baptista )

sábado, 2 de junho de 2007

Aniversário.. Do.. Morto


Como é bela e decadente esta minha vida noctívago.
Saio perdido, em direcção ao antro do deboche nojento que sempre me seduz.
Sorrisos sem olhares, palavras sem som de bocas secas e imundas.
O toque de dois copos, o caminhar para uma cama perdida em algures, de onde eu não quero acordar nunca.
Não me olhes, não me beijes, não quero afectos, não ouvir gemidos de prazer, só quero entrar em ti e libertar o o meu veneno puro.
Acordada ?
Dormes ?
Não sei teu nome !
Não interessa.
Adeus.
Arrasto meu corpo cansado pela rua do nada, a chuva vai limpando aos poucos a agonia do teu cheiro.
José
(foto de Cyril Berthault- Jacquier